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NOVENA DE PENTECOSTES

O FOGO TRAZIDO POR CRISTO SOBRE A TERRA

     

1º dia

   + Pelo sinal da santa Cruz, + livrai-nos, Deus nosso Senhor, + dos nossos inimigos. + Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

   Oração inicial

   Vem, Espírito Criador! (Veni Creator)

  Vinde Espírito Criador, a nossa alma visitai e enchei os corações com vossos dons celestiais. Vós sois chamado o Intercessor de Deus excelso dom sem par, a fonte viva, o fogo, o amor, a unção divina e salutar. Sois o doador dos sete dons e sois poder na mão do Pai, por Ele prometido a nós, por nós seus feitos proclamai. A nossa mente iluminai, os corações enchei de amor, nossa fraqueza encorajai, qual força eterna e protetor. Nosso inimigo repeli, e concedei-nos a vossa paz, se pela graça nos guiais, o mal deixamos para trás. Ao Pai e ao Filho Salvador, por vós possamos conhecer que procedeis do Seu amor, fazei-nos sempre firmes crer. Amém!

   Do Teu Espírito, Senhor, a terra está cheia

  No início do livro do Gênesis lemos: “e o Espírito Santo pairava sobre as águas”; desde antes da criação Ele já era. É Ele o Ruah que foi soprado nas narinas de Adão: “e soprou em suas narinas o fôlego da vida”. É ele que exerce o poder nas trombetas de Josué ao derrubar as muralhas de Jericó: “Quando soaram as trombetas, o povo gritou. Ao som das trombetas e do forte grito, o muro caiu”. Ele se manifesta de diversas formas, mas geralmente “no murmúrio de uma brisa suave”. De maneira bem fecunda e misteriosa o Espírito Santo se manifesta poderosamente em cada hóstia e no vinho ofertado no cálice na Santa Missa: “Santificai estes dons, derramando sobre eles o Vos- so Espírito, de modo que se convertam, para nós, no Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo”. O Espírito Santo ainda cumpre sua missão, é Ele que nos santifica através de cada Sacramento e aumenta em nós a sua graça para caminharmos nesta terra rumo a pátria celeste: “O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai.”

  Oremos: Vem, Espírito Santo! Vem, força de Deus e doçura do Senhor! Vem, Tu que és ao mesmo tempo movi- mento e repouso! Renova a nossa coragem, enche a nossa solidão no mundo, cria em nós a intimidade com Deus! Não dizemos mais como o profeta: Vem dos quatro ven- tos, como se ainda não soubéssemos de onde vens. Mas dizemos: Vem, Espírito, do lado traspassado de Cristo crucificado! Vem dos lábios do Ressuscitado! O sopro do Espírito: vem sobre Adão, na criação, e Ele se torna um “ser vivo”, vem sobre a Virgem, na Encarnação, e nela ganha vida o Redentor, vem sobre Jesus, na Ressurreição, e o torna um “Espírito que dá a vida”, vem sobre os apóstolos em Pentecostes, e nasce a Igreja, vem sobre a água no Batismo, e o homem renasce para nova vida, vem sobre o pão e o vinho, na Eucaristia, e eles se transformam no Corpo e no Sangue de Cristo, virá sobre nós, no fim dos tempos, e “dará vida aos nossos corpos mortais”.

2º dia

   + Pelo sinal da santa Cruz, + livrai-nos, Deus nosso Senhor, + dos nossos inimigos. + Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

   Oração inicial


   Vem, Espírito Criador! (Veni Creator)

   

   O Espírito Santo é uma pessoa

 

   O Espírito Santo é o próprio Deus! O Espírito Santo tem emoções, vontades, intercede: “Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis. E aquele que perscruta os corações sabe o que deseja o Espírito, o qual intercede pelos santos, segundo Deus.” Fica triste: “Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual es- tais selados para o dia da Redenção”, mas também atua como consolador, que Jesus havia dito que Ele seria: “Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim”.

    O Espírito Santo é uma pessoa?

   Sim, o Espírito Santo é uma pessoa, não apenas uma força ou um poder. Jesus disse que Ele é uma pessoa quando O chamou de nosso Conselheiro, algo que só uma pessoa pode ser: “Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, irá ensinar-vos todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito.” A Bíblia fala que Ele tem todas as caraterísticas de uma pessoa:

   Ele fala – a Bíblia conta que o próprio Espírito Santo falou com os discípulos como uma pessoa, não como uma força usada por alguém: “Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: “Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado”.

  Ele pensa – o Espírito Santo sonda e compreende as coisas de Deus, tem capacidade intelectual: “Todavia, Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus. Pois quem conhece as coisas que há no homem, senão o espírito do homem que nele reside? Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.”

  Ele sente – se nós podemos entristecer o Espírito San- to, isso significa que Ele tem capacidade para sentir emoções.

   Ele tem vontade – o Espírito Santo toma decisões, dan- do a conhecer a Sua vontade: “Ao chegarem aos confins da Mísia, tencionavam seguir para a Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu.”

  Oremos: Amor do Pai e do Filho, sagrada fonte de todo o bem, Espírito Paráclito! Dos abismos da Trindade der- rama-te, rio do amor, e invade nosso íntimo. Doce cha- ma que te espalhas, toca-nos o coração de pedra e dis- persa o triste gelo. Como suave aragem, irrompe, e com o sopro nos conforta com o teu amor deífico. Por ti, a ti nos unamos, por ti, a ti nos prendamos com o vínculo do amor.

3º dia

   + Pelo sinal da santa Cruz, + livrai-nos, Deus nosso Senhor, + dos nossos inimigos. + Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

   Oração inicial

 

   Vem, Espírito Criador! (Veni Creator)

 

   Carismas e sacramentos, pentecostes que continua

  Os Carismas do Espírito, concedidos a todos por ocasião do Batismo e intensificados no Crisma, também são chamados de dons do Espírito Santo. Ele nos capacita com estes dons para servirmos à Igreja de Cristo, através dos irmãos. Os carismas são, portanto, dons de poder para o serviço da comunidade cristã.

   Algumas condições para recebermos e perseverarmos na vida carismática: simplicidade e pureza de coração; assiduidade da meditação da Palavra de Deus; vida de Oração; desejo de servir aos irmãos como Jesus: “Pois qual é o maior: o que está sentado à mesa ou o que serve? Não é aquele que está sentado à mesa? Todavia, eu estou no meio de vós, como aquele que serve.” Perseverança à recepção dos dons espirituais (sempre abertos para sermos canais à ação e poder do Espírito em nós).

   Nossa colaboração é essencial. Deus não nos quer robôs agindo independentemente de colaboração ou de forma mecânica. Ele respeita a nossa liberdade e consentimento. Se cremos, dizemos sim ao que o Senhor quer realizar em nós. Maria Santíssima é o modelo da total abertura: “Faça-se em mim, segundo a Tua palavra”.

   Os sacramentos revelam em nós a comunhão com Deus por meio de Jesus Cristo e pela ação do Espírito Santo, bem como nossa relação íntima com a Igreja por meio da doutrina dos apóstolos.

  Papa Paulo VI, na Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, ensina-nos que os sacramentos “não só supõem a fé, mas também a alimentam, fortificam e ex- primem por meio de palavras e coisas, razão pela qual se chamam sacramentos da fé”. Como sinais e meios de fortalecimento da fé, foram instituídos por Jesus Cristo e confiados à Igreja, sendo o batismo, a confirmação, a Eucaristia, a penitência, a unção dos doentes, a ordem e o matrimônio, contando cada um com suas particularidades, que brevemente serão citadas.

   Oremos: Espírito que distribuis a cada um os carismas; Espírito de sabedoria e ciência, amante dos homens; que enches os profetas, aperfeiçoas os apóstolos, fortaleces os mártires, inspiras a doutrina dos doutores! A ti, Deus Paráclito, dirigimos a nossa prece, de mistura com este incenso odoroso. Nós te pedimos, renova-nos com os teus santos dons, pousa sobre nós, como sobre os após- tolos no cenáculo. Derrama sobre nós os teus carismas, enche-nos com a sabedoria da tua doutrina; faze de nós templos da tua glória, embriaga-nos com o vinho da tua graça. Concede-nos viver para ti, obedecer-te e adorar- -te, tu, o puro, o santo, Deus Espírito Paráclito.

4º dia

   + Pelo sinal da santa Cruz, + livrai-nos, Deus nosso Senhor, + dos nossos inimigos. + Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

   Oração inicial
   

   Vem, Espírito Criador! (Veni Creator)

   Uma renovação no Espírito

  Recebemos o Espírito Santo no Batismo e na Crisma; mas, muitas vezes Ele ficou sufocado em nós por causa de nossos pecados, vida tíbia, falta de oração, de trabalho apostólico, etc. São Paulo disse que “quem não tem o Espírito de Cristo não é de Cristo”. Então, precisamos ser renovados no Espírito Santo, ser “batizados” Nele. Isso não é um novo Batismo e nem nova Crisma, mas deixar que o Espírito Santo – que já está em nós tome conta de nós, de nosso agir, de nossos pensamentos e de nossas palavras.

   Em primeiro lugar é preciso purificar-se. Deus não ocupa, nem usa, vasos sujos. O Espírito Santo ocupa qual- quer coração, menos o coração cheio de pecado; porque Ele é Santo. É preciso renunciar com toda a vontade o pecado: soberba, orgulho, vaidade, ganância, ambição, sexualismo, luxúria, adultério, pornografia, homossexualidade, gula, bebedeiras, orgias, raiva, ódios, ciúmes, revoltas, ressentimentos, vinganças, lamúrias, blasfemações, palavrões, horóscopos, magias, superstições, necromancia (consulta aos mortos), cartomancia, quiromancia (leitura das mãos), inveja, preguiça, etc. Limpar a casa e perfumá-la, para que o Senhor da glória seja então recebido. Faça a sua Confissão!

   A segunda exigência para ser renovado no Espírito San- to, é perdoar a todos. A única exigência que Deus nos impõe para nos perdoar – qualquer que seja o nosso pe- cado – é que estejamos arrependidos e que perdoemos os que nos ofenderam.

   “Se perdoardes aos homens os seus delitos também o vos- so Pai celeste vos perdoará; mas, se não perdoardes aos homens, o vosso Pai também não perdoará os vossos deli- tos”. Essas palavras de Jesus são claras demais!

   Oremos: “Enquanto eu me calava, consumiam-se meus ossos, torturando-me, todo o dia, porque, dia e noite, tua mão pesava sobre mim; minha seiva secava ao calor do verão. Manifestei-te meu pecado e não encobri meu delito. Eu disse: ‘Confessarei ao Senhor minhas ofensas’, e tu per- doaste a culpa do meu pecado”.

   “Com o calor, tudo amadurece; graças ao Espírito, tudo é santificado: símbolo evidente! O calor derrete o gelo dos corpos: o mesmo faz o Espírito com a impureza dos corações. Ao primeiro calor, saltam os bezerrinhos na primavera; assim também os discípulos, quando o Espírito desceu sobre eles. O calor rompe os troncos do inverno que mantêm flores prisioneiras: graças ao Espírito Santo, quebra-se o jugo do maligno, que im- pede à graça desabrochar. O calor desperta o seio da terra adormecida: o mesmo faz o Espírito Santo com a Igreja”

5º dia

   + Pelo sinal da santa Cruz, + livrai-nos, Deus nosso Senhor, + dos nossos inimigos. + Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

   Oração inicial


   Vem, Espírito Criador! (Veni Creator)


   As ações do Espírito Santo em nossas almas

    Essa belíssima e nobre criatura que é a alma humana, criada pela paterna Mão de Deus, foi pelo Eterno Amor enriquecida das mais eleitas virtudes que nela produz seus frutos, graças à ação vivificante do mesmo Amor que é o Espírito Santo.

 

  As ações deste Divino Espírito nas almas são admiráveis e, quanto mais as contemplamos, tanto mais nos enche- mos de maravilha e de consolação. Inacessível por sua natureza, o Espírito Santo se torna acessível por sua infinita bondade, sobretudo para as almas que O desejam e a elas se comunicam de modo inexplicável. Ele as enche de Si e as faz sentir Sua presença com luzes, inspirações, confortos, graças de todas as maneiras. E por mais que seja simples na sua essência, é variado e múltiplo nos seus efeitos. E na obra da santificação das almas pode-se afirmar que o Espírito Santo é tudo em todos.

   Este dogma da inefável operação do Espírito Santo na alma do cristão mostra claramente uma verdade que eleva a uma dignidade incompreensível: Eis uma expressão desta verdade. “Um Deus se ocupa de mim. Um Deus se preocupa em me fazer o bem. O desejo pela minha perfeição é a sua predileta ocupação! Ele trabalha em mim, pensa sempre em mim, não cessa de trabalhar por mim!”. E por que tudo isso? Porque me ama e me ama infinitamente! Por quê? Porque eu sou uma feliz criatura dos eternos e amorosos cuidados de Deus!

   Se esta verdade fosse por ti bem considerada e bem en- tendida, que mais te importaria, ó alma cristã, das coisas da terra? Tu, tão amada por Deus, como poderias não aproveitar Seus afetos, desperdiçando-os pelos bens desta terra? Ah, se conhecesses a ti mesma e Aquele que opera em ti, estarias morta para o mundo e o mundo estaria morto para ti e viverias desde agora toda em Deus!

 

   Oremos: “O Paráclito que, em línguas de fogo, desceu sobre os apóstolos e os discípulos, desce também sobre nós como fogo: para queimar e destruir a culpa, para purificar a natureza, para consolidar e aperfeiçoar a graça, para expulsar a preguiça de nossa tibieza, e acender em nós o fervor do seu amor”.

   Pudesse agora em mim esse divino Fogo acender-se e brilhar, destruir a escória dos pensamentos e os montes derreter! Pudesse Ele descer do céu e todo o mal consumir! Vem, Espírito Santo, eu grito a ti, Espírito de fervor! Desce ao coração e a alma ilumina, fogo de fundidor! Per- lustra a minha vida do princípio ao fim, santifica-a toda!

6º dia

   + Pelo sinal da santa Cruz, + livrai-nos, Deus nosso Senhor, + dos nossos inimigos. + Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

   Oração inicial

   Vem, Espírito Criador! (Veni Creator)

   O Espírito Santo e os Seus frutos

   Chamamos Frutos do Espírito Santo aqueles preciosos efeitos que Ele produz nas almas, mediante a infusão dos Seus Dons, os quais, postos à disposição das almas, tornam-nas fecundas de atos sobrenaturais de virtudes, que são frutos de santidade e de vida eterna. A nossa natureza, viciada em Adão, é como uma árvore silvestre que dá frutos amargos e ingratos. O Espírito Santo realiza nestas árvores um saudável enxerto, que as faz de certo modo transformar a natureza, onde o suco vital, ou seja, a natural virtude operativa do homem, passando pelo novo enxerto, nele recebe as boas qualidades e dá frutos doces e salubres. E, falando propriamente, não é o homem que produz aqueles bons frutos, mas o Espírito Santo, princípio eternamente fecundo da vida sobrenatural.

  Toda árvore, boa ou má, se conhece pelos frutos que produz; e cada ramo da árvore frutífera será por Deus podado a fim de que produza maior fruto (Cf. Jo 15, 3). Não basta, portanto, o enxerto para que uma árvore ruim produza bons frutos, é preciso que o empenhado agricultor faça a poda e que a cultive. E é aqui que acontece o miserável naufrágio da virtude de tantos cristãos que relutam diante do sofrimento. Gozam aqueles, de serem enxertados com o precioso broto da graça divina, mas não querem depois, que a mão providente do celeste Agricultor lhes pode, isto é, não querem despojar-se totalmente de seus afetos terrenos, não querem cortar generosamente suas paixões favoritas e mesmo que quisessem ser ramos frutíferos da árvore do paraíso, querem também reter em si os parasitas selvagens do antigo inimigo; isto é, afetos mundanos, amor próprio, orgulho, avareza e coisas semelhantes. Mas esses vergonhosos ramos, que mesmo diante do precioso enxerto permanecem selvagens e estéreis, no fim não serão rejeitados e lançados ao fogo?

   Oremos: Eu suplico à tua imutável e onipotente soberania, ó Espírito poderoso: envia o orvalho da tua suavidade. Tu, que consagras os apóstolos, inspiras os profetas, instruis os doutores, que fazes os mudos falarem, e abres os ouvidos dos surdos, dá-me também a mim, pecador, a graça de falar com segurança do mistério vivificante da boa-nova do Evangelho... Neste momento em que vou expor em público a tua palavra, que a tua misericórdia me preceda e interiormente me inspire, no momento exato, aquilo que é digno, útil e do teu agrado, para glória e louvor da tua divindade, e para a plena edificação da Igreja Católica.

7º dia

   + Pelo sinal da santa Cruz, + livrai-nos, Deus nosso Senhor, + dos nossos inimigos. + Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

   Oração inicial


   Vem, Espírito Criador! (Veni Creator)

 

   Nossos deveres para com o Espírito Santo

   O Espírito Santo, como Deus, possui também todo o direito de adoração, submissão e amor, assim como deve- mos render ao Pai e ao Filho. Como Ele em participar, é o Santificador de nossas almas, e que em nós reside substancialmente, a Ele devemos o obséquio de uma humilde e confiante oração, para lhe pedir força, para vencer as tentações, luz para conhecer melhor os nossos deveres e a graça para santificar todas as nossas ações, a fim de que sejam agradáveis a Ele. Além do mais, devemos-lhe docilidade às suas inspirações e reconhecimento pelos seus incessantes benefícios.

 

   Mas, como o Espírito Santo é Amor, e o Amor deve ser amado, entre todos esses deveres, o que deve reinar é a primazia do Amor. E porque nós, miseráveis criaturas, não poderemos jamais amar adequadamente o Amor Infinito, amemos ao menos como podemos, e procure- mos que Ele seja também mais conhecido e mais amado pelos outros.

 

   Mas como cumpriremos os nossos deveres para com o Espírito Santo, se rara e friamente nos recordamos dEle? O esquecimento é adoração? O esquecimento é gratidão? É amor? Não, ao contrário: é ingratidão, desamor e desprezo.

  Para nós, que conscientemente vivemos no sobrenatural, existiria maior vergonha que viver toda a jornada como se o Espírito Santo não existisse, como se Ele não habitasse pessoalmente dentro de nós? Portanto, ó cristão, se quiseres cumprir todos os seus deveres para com o Espírito Santo comece a tê-Lo presente no seu pensa- mento, recorde várias vezes o Seu amor, os Seus benefícios, e entre todas as suas devoções não falte, ou melhor, abundem obséquios e orações em Sua honra.

   Oremos: Espírito que iluminas todo homem, dispersa, ó Santo, da nossa mente a horrenda noite, Tu que és o amante de todo pensamento sensato. Derrama a tua unção em nós, ó Pio, tu que sempre purificas as culpas, limpa o olho do homem interior, ofuscado pelo mal; para que possamos ver o Sumo Pai que só os olhos dos puros de coração podem contemplar, como atesta a sabedoria de Cristo.

8º dia

   + Pelo sinal da santa Cruz, + livrai-nos, Deus nosso Senhor, + dos nossos inimigos. + Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

   Oração inicial


   Vem, Espírito Criador! (Veni Creator)


   Oh, Divino Paráclito! És o Santificador das almas

   Se o Criador não quisesse elevar a alma humana à vida sobrenatural, renovando a sua imagem e soprando sobre ela o Hálito Divino, estaríamos perdidos. Quando Deus se comunica com a criatura, soprando sobre ela, dá-lhe sempre espírito, vida, graça, amor, melhor dizendo, dá- -lhe a Si mesmo. Uma criatura que possui o Espírito de Deus, certamente não pode viver apenas segundo as razões da natureza terrena, que quase sempre se opõem à graça divina que deseja nos elevar à participação da natureza divina.

   Mas quem dará a uma criatura da terra, ajuda e força para viver segundo a sublime vocação de um ser divinizado? Este milagre é obra do Divino Espírito Santo, que é o Santificador das almas; o qual com força e suavidade conduz as almas ao santo viver, a que nós chamamos vida sobrenatural, que consiste não só em observar os mandamentos da lei de Deus, mas em dirigir a Ele sem- pre, todo o nosso ser, nosso querer, nosso fazer e sofrer, vivendo assim, unicamente para Ele.

   O nome do Santificador das almas é dado ao Espírito Santo na Divina Escritura, para indicar que Ele é princípio e fonte de toda santidade, dEle vem as graças, as luzes, os confortos, e ajuda para nossa santificação. É de fato Ele que ilumina o pecador no seu estado de peri- go, acorda-o do sono da morte, inspira-o no desejo de voltar para Deus, ajuda-o a curar o próprio coração daquele tríplice germe do mal, que consiste no orgulho, na sensualidade e na avareza. É Ele quem o faz olhar a doçura da virtude, a felicidade da paz e as consolações do divino amor. Reforma nosso interior, reprime cativas inspirações, mostrando a preciosidade dos sofrimentos e o prêmio das boas obras; Ele completa em nós a obra admirável de Deus, comunicando virtudes santificadoras as nossas ações.

 

  Na verdade, o Divino Espírito, cumpre para conosco aquela promessa da Sagrada Escritura: Vos darei um coração novo e um espírito novo. Vos tirarei da vossa sepultura, (isto é, do mortífero estado da culpa), vos darei o meu Espírito e viverei. Eu disse, eu farei (Ez 37). Que mais poderia prometer o Senhor de tão consolador? O Espírito Santo, como Deus, possui também todo o direito de adoração, submissão e amor, assim como devemos render ao Pai e ao Filho. Como Ele em participar, é o Santificador de nossas almas, e que em nós reside substancialmente, a Ele devemos o obséquio de uma humilde e confiante oração, para lhe pedir força, para vencer as tentações, luz para conhecer melhor os nossos deveres e a graça para santificar todas as nossas ações, a fim de que sejam agradáveis a Ele. Além do mais, devemos-lhe docilidade às suas inspirações e reconhecimento pelos seus incessantes benefícios.

   Oremos: Vem, Espírito Santo, Deus, Senhor, enche com a tua graça benigna a alma e a mente dos teus fiéis. Acende neles o fogo do teu amor com o esplendor da eterna luz, Tu reuniste em uma só fé um povo de todas as nações: a ti entoamos um hino, Espírito Santo. Tu, santa luz, porto seguro: ilumina aos cristãos a Palavra. Dá-nos de Deus reto conhecimento e alegria verdadeira ao chamá-lo de Pai. Preserva-nos, ó Santo, dos erros, pois nosso Mestre é só Cristo, crendo nele com ortodoxa fé e confiando nele com todo o coração.

   Vem, Santo Espírito, enche os corações dos teus fiéis. Tu vieste ao mundo para nos fazer fiéis, vem agora fazer- -nos felizes. Tu vieste para que, com teu auxílio, pudéssemos gloriar-nos na esperança da glória dos filhos de Deus. Vem de novo para que possamos também gloriar- -nos na posse dessa vida. A ti cabe confirmar, consolidar, aperfeiçoar e levar a bom termo. O Pai nos criou, o Filho nos resgatou: faze, portanto, a parte que te cabe. Vem para nos ensinar toda a verdade, levar-nos ao gozo do Sumo Bem, à visão do Pai, à abundância de todas as delícias, ar à alegria das alegrias. Amém”.

9º dia

   + Pelo sinal da santa Cruz, + livrai-nos, Deus nosso Senhor, + dos nossos inimigos. + Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

   Oração inicial

 

   Vem, Espírito Criador! (Veni Creator)

 

   Os benefícios do Espírito Santo

  Sem dúvida, os benefícios revelam o Benfeitor, e quanto mais excelentes e múltiplos são os benefícios, tanto indicam ser mais excelente e mais amoroso o Benfeitor. Nós nunca poderemos chegar a conhecer todos os benefícios que recebemos do Espírito Santo. A Igreja, por outro lado, com os nomes que O concede, nos mostra grande parte de suas graças: chamando-O de Luz dos Corações, a Igreja nos revela a bela graça que Ele, o Espírito San- to, compartilha conosco através das explicações Divinas. Chamando-O de Fogo, nos recorda como por meio dEle vem ao nosso coração as chamas do Divino Amor. Como Doce Hóspede da alma, nos assegura a sua presença em nós. E ainda como Pai dos Pobres, Dispensador de Dons, Fonte Viva, Consolador Perfeito nos acrescenta múltiplos benefícios que recebemos incessantemente por Ele!

   Pelas simbólicas formas que quis assumir para dirigir-se aos mortais, se conhece como melhor via, os benefícios do Paráclito.

   No Batismo do Salvador, o Espírito Santo assume a forma de uma cândida pomba. No Mistério da Transfiguração de Nosso Senhor, S. Ambrósio, S. Tomás e outros, reconhecem o Espírito Santo na fúlgida nuvem que aparece sobre o Tabor, simbolizando a amorosa proteção do Paráclito sobre nós, e ao mesmo tempo o princípio daquela sobrenatural fecundidade, que o próprio Espírito Santo infunde nas almas. Quando depois, aparece no Cenáculo como Celeste Fogo, distribui muitos dos seus benefícios, e principalmente aquele de esclarecer e de inflamar as almas de santos ardores; de comunicá-las a admirável atitude de fazer o bem e de conduzi-las a agir, não mais humanamente e segundo a natureza, mas divinamente e segundo a graça. E como o fogo converte em fogo aquilo que nele é imerso, assim o Divino Fogo do Espírito Santo se não pode fazer-nos divinos por natureza, torna-nos pela graça.

   Admira, ó alma fiel, estas maravilhas de amor, e diz se não serão para ti grandes vantagens. Como devotos do Espírito Santo, seguramente possuiremos seus benefícios.

   Oremos: Ele é o Nome divino, todo-poderoso e digno de toda honra, que com o Pai e o Filho é lembrado e glorificado. Ele santifica, vivifica e faz partícipes da luz celeste, guarda em todos a perseverança na concórdia; Ele inspirou os profetas e os apóstolos, aos mártires deu a força para resistirem à crueldade dos tiranos; renova e liberta como Senhor, faz de nós filhos de Deus como Espírito de adoção; afugenta as hostes dos demônios mediante a iluminação do Batismo, e cobre de vergonha satanás, o ini- migo; abre-nos as portas dos céus e nos conduz ao porto da salvação; faz-nos participar da comunhão e do canto dos anjos; é para nós caminho que leva ao Pai e Deus dos céus, graças à sua vinda soberanamente livre e generosa.

   Ele é fecundo e infinito poder de salvação, incomparável e santa hipóstase, que não tem limites, glória puríssima e incontaminada, graça divina que supre a nossa fraqueza, bondade inefável e eterna, fonte inesgotável dos caris- mas, inspirador de todo bom pensamento, que manifesta as coisas futuras e escondidas, selo de salvação, unção divina, sinal dos bens eternos. Dele toda criatura visível e invisível, racional e irracional, recebe o sustento, dele a vida nova que vem do alto, a remissão das culpas e o perdão dos pecados, a união com Deus e a coroa para os justos, a posse dos bens e a morada nos céus, a vida sem fim e a eterna herança no Reino de Deus.

 

 

 

    Para o último dia da Novena

 

   Espírito Santo, consciente e livremente, como filho (a) de Deus, ao Vosso dispor coloco os dons mais preciosos que recebi do Pai: a vida e a liberdade. Podeis dispor de mim como, quando e quanto quiserdes. Inspirai-me sempre na oração e na ação, no pensamento e na intenção, no ouvir, no calar e no falar. Nenhuma fibra do meu corpo, da minha alma e do meu espírito se mova senão pelo Vosso sopro de vida. Por Vossa inspiração, eu possa conhecer a vontade do Pai e fortalecer-me no seu incondicional e amoroso cumprimento a fim de que eu seja sempre radiante manifestação de Seu amor. Dai-me o que não sei nem ouso pedir. Tirai de mim o que não consigo ou não quero Vos dar. Com toda liberdade, fazei de mim um (a) verdadeiro (a) e amoroso (a) ‘escravo (a) do Senhor’! Tudo isto Vos peço e espero para o bem da santa Igreja, pela intercessão de Nossa Senhora, em nome de Jesus! Amém.